HELLFEST
A VERDADEIRA CELEBRAÇÃO AO ROCK!
(Clisson, França, 17, 18 e 19/06/2011)
Mauricio
Melo e Antonio Perales Martinez
Pelo
segundo ano consecutivo chegamos até Clisson para
cobrir o Hellfest Festival, este que vem se tornando referência
na Europa quando se trata de música extrema. Como
prévia, logo na abertura do evento, uma boa chuva
serviu para reavaliar nossos planos. Nossa jornada se deu
início num rápido show do Malevolent Creation,
que mais valeu para se proteger da chuva por terem tocado
na "lona" da Rock Hard do que pelo show em si.
Não distante dali conferimos o Church of Misery,
que definitivamente coloca o Japão no mapa da música
pesada.
Entre
esta apresentação e o The Damned Things, banda
composta por integrantes do Anthrax, Fall Out Boy e Every
Time I Die, tínhamos previsto nosso Krisiun. Mas
não chegamos a tempo por pequenas imposições
feitas pelo festival.
O
The Damned Things, que decepcionara em Barcelona dias antes
e o fato de Scott Ian ter deixado a turnê repentinamente
por uma emergência familiar, tenha feito a banda descarrilar
por uns dias. Mas, no Hellfest, o show foi maiúsculo,
hard rock dos bons, pesado, com riffs, refrões pegajosos.
Quando finalizaram com "We've Got a Situation Here"
nos lamentamos que o show tenha sido tão curto: dez
músicas em 40 minutos, tempo do disco Ironiclast.
Para
o primeiro encontro com o palco principal 1 tivemos The
Cult e um Astbury fisicamente irreconhecível. O frontman,
outrora vaidoso, exibe barba, cabelos compridos e uma boa
barriga. Já musicalmente continua se entendendo muito
bem com Billy Duff. Brindaram o público abrindo a
apresentação com "Rain" e o resto
já podem imaginar como foi: "Sweet Soul Sister",
"She Sells Sanctuary", "Love Removal Machine"...
Mostrando
o outro lado da moeda, no palco principal 2, estavam The
Exploited e um início avassalador com "Let's
Start a War" como cartão de visita de outros
clássicos como "Troops of Tomorrow", "Fuck
the USA", "Cop Cars" e até "Beat
the Bastards".
Na
seqüência, conferimos o projeto que deu "certo":
Down. Um público dedicado e um grupo mais entrosado
do que nunca, talvez esteja vivendo seus melhores dias no
que se trata de apresentações ao vivo, com
um Phil Anselmo em forma e riffs matadores de Pepper e Kirk.
Previsto
para encerrar o dia, Iggy and Stooges anteciparam sua apresentação.
Uma vez mais o público ficou boquiaberto ao ver Iggy
em plena forma física com seus sessenta e tantos
anos de idade. Um verdadeiro showman. Dançando e
chamando para dançar, descendo constantemente ao
público e liderando clássicos como "1969",
"Search & Destroy" e, claro, "I Wanna
be your Dog".
Se
por um lado a Terrorizer recebia o Clutch o palco principal
teve a oportunidade de ver o retorno do Morbid Angel aos
palcos lançando seu Illud Divinum Insanus, numa das
apresentações mais brutais da noite. Entre
enfrentar uma fila descomunal para o Rob Zombie que acabou
encerrando apresentação 25 minutos antes do
previsto e ir ao Melvins, ficamos com a segunda opção.
Ao ver os integrantes do Down "rolando" de alegria
ao fundo do palco, tivemos a sensação de estar
no lugar certo. Para fechar a noite de um dos dias mais
rock da história do Hellfest, assistimos ao bom show
do Monster Magnet após uma pífia apresentação
do In Flames. Muitos fãs reclamavam da falta de dedicação
no palco.
Nossa
primeira missão para o segundo dia foi o Shai Hulud,
com um competente show, já que o Your Demise e Whiplash
tocaram ainda de manhã. O Hammerfall também
marcou presença e mais adiante o bom punk rock do
Raw Power. Quem também levantou poeira e agitou bem
o público foi o Municipal Waste. Na seqüência
pudemos conferir de perto o Thin Lizzy. Por algum motivo
o US Bombs não entrou no horário previsto
e sim 20 minutos antes do Terror, o que acabou confundido
parte do público que queria assistir a uma banda
ou outra. Nos restou a espera pelo Comeback Kid e seu perfeito
show.
O
Sodom também esteve no festival e nós assistimos
a uma certa distância já que estávamos
na fila para o Black Label Society. Conferimos de perto
o que Zakk Wylde e seus irresistíveis riffs em "Crazy
Horse" e "Overload" nos oferecia. Foi uma
oportunidade de luxo assistir a Wylde ainda sob a luz do
dia. Uma pena que encaixaram o D.R.I no mesmo horário,
o que dividiu o público. Mas, quem correu até
o palco pequeno ainda teve a oportunidade de vibrar com
"Violent Pacification" e "Five Year Plan".
O
Terror também aprontou das suas com seu novo disco
Keepers of the Faith. Já podemos colocar "You're
Caugh" ao mesmo nível de "Better off Without
You" ou "Keep Your Mouth Shut", tamanha aceitação.
No mesmo palco e sem deixar a poeira baixar, o Converge
entrou como uma metralhadora giratória. A apresentação
do grupo fica marcada não só pela brutalidade
musical, mas também pela performance em palco de
seus integrantes.
No
palco principal também pudemos assistir ao Scorpions
desfilar seus clássicos e sem cerimônias. Enquanto
algumas bandas ficam guardando seus clássicos no
bolso ou fazendo "charme" para toca-los, os alemães
mandaram uma sequência histórica no festival:
"Rock you Like a Hurricane", "Holiday",
além da abertura com "Sting in the Tail".
Para
finalizar esta noite, um dos grupos mais esperados do evento:
Bad Brains. Por algum motivo integrantes de outras bandas
não podiam ficar no palco, porém ninguém
se rendeu: junto aos seguranças todos se derretiam
com "Salling On", "I Against I" e "Attitude".
O mais impressionante foi a humildade de seus integrantes
que agradeciam ao final de cada música o comparecer
do público.
No
terceiro e último dia de festival, vimos de perto
um ex-Guns N' Roses e Velvet Revolver, Duff McKagan's e
seu projeto Loaded. Um hard rock de qualidade, mas desconhecido
do grande público. Seu ex-companheiro Slash jogou
com melhor maestria no ano anterior quando tocou músicas
de seus ex-grupos junto a seu atual lançamento, levando
o público ao delírio. Duff não fez
o mesmo e, apesar da competência, passou um tanto
desapercebido.
Os
americanos do Atheist tocaram antes e ainda que fosse cedo
muita gente partiu em direção ao palco principal,
já que a curiosidade era grande para vê-los
após a reunião em 2006. Foram poucos os erros
cometidos pelo grupo, já que o sistema de som parecia
não ajudar muito. No geral uma atuação
mais do que aceitável, levando em conta os 45 minutos
disponíveis para a banda.
Já
com o Cavalera Conspiracy a coisa foi diferente. Tanto músicas
do recém lançado Blunt Force Trauma quanto
os clássicos do Sepultura foram recebidos com euforia
pelo público. O que não mudou muito foram
os problemas de som: as guitarras eram imperceptíveis
e graves e a bateria altíssima. Algumas pessoas comentaram
a atual forma física de Max que o limita dentro do
palco. Um vocalista praticamente estático, mas que
compensa com seu eterno carisma. Além disso, tivemos
uma jam em família em "Cockroaches" (Nailbomb)
em que seus filhos, desta vez empunhando guitarra e bateria,
"destruíram" no palco. Max teve até
que dar um "puxão" de orelha nos moleques
para baixarem um pouco a bola. Um pouco mais e os adolescentes
sairiam dando porradas com a guitarra do pai e a bateria
do tio nos outros!
Judas Priest fez um bom show, levando em consideração
que suas últimas apresentações pelo
continente não haviam agradado. Desta vez não
faltaram clássicos ("Break the Law" e "Painkiller",
que não vem aparecendo em todas apresentações
da banda) e movimentação no palco de Halford.
Para o bis, a tradicional entrada de Halford de Harley e
"Freewheel Burning".
Porém,
já quase no fim de nossa jornada e para nossa última
visita ao palco principal, Ozzy. A recomendação
especial era para que protegêssemos o equipamento
e, se possível, utilizar capa de chuva, já
que o madman parecia estar sofrendo de alguma esclerose
e estar atacando os outros com água. Bem, brincadeiras
à parte, a verdade é que Ozzy fez um show
mágico como já se esperava. O que não
esperávamos era o banho, que não foi de água
e sim de espuma de barbear ou algo similar. O próprio
Ozzy, na segunda música, sacou uma metralhadora de
pressão abriu espuma contra o público, fotógrafos
e até mesmo seguranças.
Ir
ao show do Ozzy é viajar no tempo com "Bark
the Moon" e os clássicos do Black Sabbath "War
Pigs", "Iron Man" e "Paranoid".
O setlist também foi completo com "Mamma I Coming
Home" e "Mr. Crowley". Estar num show destes
é um privilégio e tão bom que a 1h30
do madman no palco passou voando.
Com um estratégico atraso, o Kyuss Lives! esperou
o fim da apresentação de Ozzy para o início
da sua e, desta forma, compactar mais a lona Terrorizer.
Os americanos fizeram um show impecável e para aqueles
que acham que Kyuss não pode existir sem Josh Home,
o único integrante a não estar no grupo, o
trio Garcia, Olivery e Bjork, com a ajuda de novo guitarrista
Bruno, justificou a responsabilidade de fechar com chave
de ouro este festival com tantos nomes consagrados.
Arriscaria
a dizer que, além do ouro na chave, ainda colocaram
umas pedras de diamante, para dar mais brilho em músicas
como "Green Machine", "Thumb" e "Hurricane".
A poeira local, as luzes vermelhas utilizadas no palco,
o suor, apesar do frio, e a emoção deram o
clima de desert rock que muitos associam ao grupo. A palavra
Lives! junto ao nome de um grupo nunca foi tão bem
encaixada. Kyuss está vivo e muito. Foi um autêntico
show de rock.
