REBENTO
MC'S
UMA NOVA CARA PARA O RAP
O
grupo paulistano está lançando seu primeiro
trabalho Luz, Sangue e Proceder e mostra uma mescla
bem feita de rap, funk, soul e blues
Paula
Fabri
Em
um país como o Brasil, que possui uma variedade enorme
de culturas, as pessoas estão sempre procurando formas
alternativas de se comunicar. A música é uma
dessas formas que parece estar no sangue de cada brasileiro.
E, dentro dela, há tantos estilos que é possível
sim englobar desde o rico até os mais desfavorecidos.
E foi pensando nisso que, há pouco mais de quatro
anos, foi formado - na Zona Oeste de São Paulo -
o grupo de rap Rebento MC's.
O
que no início era um conjunto de 11 pessoas, hoje
é integrado por Mc Amarildo, Clayton, Piu (os idealizadores
do Rebento) e também por Nina, Mila, Dmenor e DJ
Jé, que juntos lançam seu primeiro trabalho
Luz, Sangue e Proceder pela gravadora Atração.
"Tínhamos
uma sede de mudança e queríamos saber os por
quês do mundo", conta MC Amarildo. "E resolvemos
expandir esses pensamentos através da música,
que é uma forma de atingir muitas pessoas. Chamamos
pessoas para entrar nesse projeto. Fizemos isso porque achamos
que seria legal poder compartilhar essas idéias com
outras pessoas e, quanto mais gente pensando como você,
as coisas parecem deixar de ser apenas uma idéia,
um sonho, e vão se tornando realidade."
Encarando
a música de uma forma bastante consciente, o conjunto
tentou colocar nesse disco letras que refletem o seu dia-a-dia.
Mas, ao contrário do que muita gente espera, a abordagem
deles se difere da maioria dos grupos de renome do estilo.
Com composições "menos agressivas"
que transmitem uma mensagem positiva e influenciadas por
nomes como Tim Maia, Jorge Benjor e Racionais MC's, o Rebento
tenta fazer as pessoas pensarem e, ao mesmo tempo, agradar
seus ouvidos, fazendo de seu som uma mistura de estilos
como r&b, soul, rap e funk.
"Desde
o início queríamos fazer rap de um jeito nosso.
Uma forma mais leve, que não fosse tão agressiva.
E com a sonoridade acontece a mesma coisa. Ouvimos muitas
coisas e tentamos pegar as coisas boas e delas vemos o que
poderia se encaixar na nossa própria música",
revela Amarildo.
A
faixa que vem sendo trabalhada desse disco chama-se "Nós
Temos Que Lutar". Ela, segundo o próprio Amarildo,
é uma ótima referência para quem quer
ter uma idéia do que é o Rebento MC's. Nela,
o grupo se mostra indignado não só com a situação
econômica do Brasil como a cultural também.
"Fazemos
uma crítica direcionada ao axé que, para mim,
é um estilo de música pobre. Não possui
mensagem nenhuma. E falamos do preconceito que as pessoas
possuem quanto a quem faz música no Brasil, principalmente
o rap."
Tendo
no grupo cinco pessoas responsáveis pelos vocais,
o conjunto diz dividir essa função de acordo
com o estilo de cada integrante e a proposta da canção.
E esse também foi o critério seguido na hora
de ter participações especiais, como de integrantes
de outros conjuntos como Dinastia, Expressão Ativa
e Império.
"Acho
que isso foi legal para que as pessoas vejam que existe
união entre os grupos. Essas brigas de que se tanto
fala não são verdadeiras. Estamos aqui para
fazer rap, que consideramos ser uma ferramenta, uma arma
que temos para fazer o bem", explica o MC.
Outro
elemento que também chama bastante atenção
no som Rebento MC's é o fato do conjunto ter como
integrantes duas garotas. Mila e Nina, que participam de
praticamente todas as faixas, dão um ar mais leve
e mostram que rap cantado também é valido.
E um ótimo atrativo para um público novo,
principalmente o masculino.
Após
alguns anos batalhando por uma oportunidade, a forma pela
qual a banda conseguiu seu primeiro contrato lembra muito
a uma história de conto de fadas. "Havíamos
gravado cinco músicas por conta própria e,
por isso, esse processo levou um certo tempo. Um dia ouvi
no rádio que a gravadora Atração estava
dando oportunidade para artistas de rap. Então decidi
levar nosso material para eles conhecerem. Eles gostaram
logo de cara e acabamos assinando o contrato. Depois disso
as coisas aconteceram muito mais rápido. Acabamos
o resto do CD em cerca de três meses."
