THE
IRON MAIDENS
A VERSÃO FEMININA DA DONZELA DE FERRO
O
quinteto feminino, que tem o aval dos membros oficiais do
Iron Maiden para tocar suas canções, lança
o primeiro CD em homenagem ao sexteto com direito a capa
criada por Derek Riggs
Antonio
Rodrigues Junior
É
incalculável a popularidade do Iron Maiden. Ano após
ano, os britânicos colecionam lançamentos de
sucesso e turnês ovacionadas pelo público.
Muitos os consideram como a maior banda de heavy metal de
todos os tempos. Outros chegam ao extremo de considerá-los
como uma religião. Esse sucesso todo vem se multiplicando
em grupos covers (ou tributos) pelo mundo afora. Entre os
milhares que os homenageiam, um vem ganhando destaque: The
Iron Maidens.
O
primeiro fato que chama a atenção é
que a banda californiana - que tem o aval do conjunto oficial
para tocar suas canções - é composta
apenas por mulheres: Aja "Bruce Chickinson" Kim
(vocal), Josephine "Adrianne Smith" Draven (guitarra),
Sara "MiniMurray" Marsh (guitarra), Wanda "Steph
Harris" Ortiz (baixo) e Linda "Nikki McBURRain"
McDonald (bateria). Algumas dessas "donzelas"
já tiveram a honra de realizar uma jam com integrantes
do grupo oficial.
Como
se já não fosse suficiente para se destacar,
as integrantes lançaram o primeiro disco oficial.
O CD homônimo, que foi gravado no mesmo estúdio
dos trabalhos solos de Bruce Dickinson, traz dez clássicos
da "donzela de ferro" interpretadas pelas garotas.
A capa do álbum é desenhada por ninguém
menos que Derek Riggs - desenhista responsável pela
maioria das artes do Iron Maiden - e traz uma versão
feminina do mascote Eddie, intitulada Edwina.
Nesta
entrevista exclusiva a Comando Rock, o quinteto feminino
fala sobre o nascimento da banda cover, relata a experiência
de tocar com membros do Iron Maiden, conta tudo sobre o
primeiro trabalho e a criação de Derek Riggs,
declaram a vontade de vir ao Brasil e muito mais.
Comando
Rock: Para iniciar a entrevista, gostaria que nos contasse
como surgiu a idéia de montar um tributo feminino
e por que escolheram o Iron Maiden?
Linda McDonald: Se você vai se aprofundar
numa banda tão intensamente, de forma que você
aprenda como chegar o mais próximo da gravação
original, então tem de escolher um que goste mesmo
para prestar um tributo. Pessoalmente, nunca canso de escutar
o Maiden. Não havia escolha melhor! O fato de ter
cinco mulheres, que amavam igualmente, tornou a opção
mais fácil ainda.
O
tributo tem o aval do próprio conjunto britânico.
Qual é a sensação de contar com o apoio
dos membros do Iron Maiden?
Aja Kim: É uma sensação
ótima! Fazemos isso porque realmente amamos e queremos
dividir isso com outros fãs. Julgando pelo número
de pessoas que tem vindo aos nossos shows, tem muita gente
que se sente da mesma forma.
Linda: Eles apreciam muito todas as bandas-tributo.
É uma honra saber que nos conhecem. Parecem gostar
do fato de sermos mulheres.
Josephine Draven: É definitivamente
um alívio. Depois de passar anos fazendo esse tributo,
ter a aprovação dos caras de verdade... Devemos
ter feito algo certo!
Algumas
de vocês inclusive já realizaram uma jam com
o baterista Nicko McBrain. Como foi essa experiência?
Aja: Foi em uma jam bastante animada comigo
e a Wanda, quando ele veio para a cidade fazer uma performance
beneficente. Ele foi muito amigável e divertido,
mesmo nos deixando bastante nervosas! Elogiou meu jeito
de cantar, o que significou muito para mim, já que
toca com o melhor vocalista de todos os tempos.
O
grupo britânico atualmente é formado por um
sexteto. Vocês, que atualmente trabalham em cinco,
já pensaram em chamar uma terceira guitarrista?
Josephine: Gostamos da idéia de fazer
um tributo da época The Number of the Beast
(82) e Piece of Mind (83), mesmo fazendo
covers das outras fases. Não temos uma terceira guitarrista
pela mesma razão que não chamamos nossa vocalista
de Bailey ou Di'Anno e uma guitarrista de "Denise Stratton".
Vocês
lançaram (em abril) o primeiro disco contendo apenas
faixas dos ingleses. Por quê?
Linda: Porque as pessoas sempre perguntam
se tínhamos algo gravado. O Maiden tem fãs
muito dedicados e que gostam de comprar tudo que é
relacionado a ela. Fomos encorajadas a fazer isso pelo público.
Tínhamos uma agenda apertada. Desejávamos
ter tido mais tempo. Tivemos mesmo de acertar em poucos
takes.
Aja: As performances estão muito orgânicas.
O que você ouve é o que fazemos nos shows.
Nós gravamos e mixamos no estúdio Silver Cloud,
no qual Bruce Dickinson gravou seus álbuns solo:
Balls to Picasso (94), Accident
of Birth (97) e The Chemical Wedding (98). O
lugar deu uma boa vibração e tinha muita energia
criativa no ar. Acho que todo mundo fez um ótimo
trabalho e estou muito feliz com o resultado.
Inicialmente,
o disco será vendido apenas pela Internet. Como surgiu
a idéia e como irá funcionar?
Wanda Ortiz: Estamos usando a Internet porque
é o jeito mais fácil de conseguir que nosso
CD chegue até o público. As pessoas podem
comprar o álbum visitando o nosso site (www.theironmaidens.com).
Aja: Também os vendemos em nossos shows.
Recebemos algumas propostas de algumas distribuidoras, então
estamos estudando a possibilidade de também vendê-lo
nas lojas.
Uma
curiosidade sobre o álbum é que terá
uma versão feminina do mascote Eddie e a capa será
desenhado por Derek Riggs. Como surgiu o oportunidade e
qual será o nome da mascote?
Aja: Estamos muito honradas com o fato de
nossa capa e nosso "monstro" ser um trabalho de
Derek Riggs. Ele acrescentou aquela coisa a mais de autenticidade
para esse tributo, que somente ele poderia dar.
Linda: Ficamos emocionadas de tê-lo
fazendo a capa de nosso disco. Foi a cobertura do bolo.
Fez desse tributo o mais verdadeiro Maiden possível.
Wanda: Por agora, a chamamos de Edwina T.
Head, pois esse é o nome que Riggs escreveu em baixo
do desenho quando nos mandou. Provavelmente porque é
a versão feminina do nome Eddie, mas não decidimos
o nome dela oficialmente.
Em
relação as apresentações ao
vivo, como é a reação do público?
Wanda: Muitas pessoas não esperam ver
mulheres tocando música dessa natureza, mesmo tendo
mais garotas fazendo isso hoje em dia. Eu vejo olhares surpresos
das pessoas quando nos vêem tocando. Mas, depois das
primeiras canções, os preconceitos são
deixados de lado e todo mundo começa a se divertir.
Os
ingleses incluem em seus shows um pouco de teatrização,
principalmente pela participação do mascote.
Vocês mantém esse lado?
Josephine: Temos nosso próprio Eddie
que muda de roupa em algumas das músicas, de acordo
com a época de cada canção. Temos nosso
engenheiro de palco que prepara todos os tipos acessórios
que possam melhorar o show.
Wanda: O aspecto visual é uma das coisas
que ajudou o Iron Maiden a sobressair. Tentamos fazer de
nossas apresentações as mais próximas
possíveis com as deles, com as roupas, efeitos especiais
e nosso próprio Eddie.
Vocês
participaram do festival The Smoke Out (em novembro
de 2002), que é quase todo dirigido ao público
hip hop. Como foi a reação das pessoas a um
show de heavy metal?
Josephine: Eles têm muitos palcos nos
festivais. Tivemos uma boa platéia que estava lá
para ver os shows de rock e alguns caras de hip hop, que
gostaram de nossa apresentação. No fim das
contas tudo correu bem!
Sara Marsh: Conversei com um cara que me disse
que no The Smoke Out foi a primeira apresentação
nossa que viu e que não perde mais um show! A maioria
das pessoas que gostam de metal, não curtem rap,
mas isso não acontece com quem curte rap.
O
Iron Maiden possui milhares de fãs espalhados pelo
Brasil. Inclusive gravaram o CD e DVD ao vivo Rock in
Rio aqui. Na última passagem pelo País,
o sexteto lotou um estádio (Pacaembu, em São
Paulo) com mais de 50 mil pessoas. Vocês sabiam desse
fanatismo no Brasil? Quais são as chances dos fãs
brasileiros as conhecerem?
Linda: Sim, estamos conscientes! O Brasil
ama heavy metal! Estaríamos aí o mais rápido
possível se um promotor certo nos convidasse. Adoraríamos
poder celebrar o trabalho do Iron Maiden com todos os fãs
brasileiros! Nos liguem, vamos fazer isso acontecer!
Aja: Todas já vimos a apresentação
que aconteceu no Rock in Rio. Gostaríamos muito de
poder tocar para as pessoas no Brasil. Tenho muitos amigos
na América do Sul e me apresentei no Equador há
alguns anos com Wilma Palma, uma banda de rock Argentina.
Amei as pessoas e foi uma experiência incrível!
Antes
da formação do The Iron Maidens, Linda e Josephine
participavam do grupo Phantom Blue. O que aconteceu com
o conjunto?
Linda: The Iron Maidens cresceu e toma todo
o nosso tempo! É realmente uma surpresa como esse
projeto deu certo. Era para ser algo divertido que faríamos
uma vez por mês ou em nosso tempo livre. Mas parece
ter uma grande demanda de fãs nos Estados Unidos
e no resto do mundo. As pessoas não se cansam do
Maiden. O Phantom Blue continua vivo, mas ficou relativamente
inativo desde que esse projeto tomou grandes proporções.
