PADRE
MONEY!
CONTRA A 'RELIGIÃO' DO CONSUMISMO
O
grupo paulistano, que está lançando seu primeiro
trabalho Não Sei Mais O Que Sou, investe em
letras com críticas sociais e na mistura de punk
com rap
Paula
Fabri
Foi
com a intenção de colocar para fora tudo o
que pensam sobre a sociedade em que vivemos e ao mesmo tempo
se divertir com a música que Olla Ayemi (vocal),
Humberto Naza (guitarra e voz), João Santos (guitarra),
Ricardo Leal (baixo) e Fábio Cosmo (bateria) formaram
o grupo Padre Money!, em São Paulo, em 2002.
"O
Padre Money! foi resultado do fim de uma outra banda chamada
Kataclismo. No meio de 2001 a gente acabou perdendo contato
mas, por estas coisas do destino, no começo de 2002,
o Ricardo encontrou o Humberto e rolou aquela nostalgia.
Eles me chamaram e voltamos a tocar juntos. Depois chamamos
o Olla e o João e estamos aí na correria até
hoje", conta o baterista Fábio.
Com
um som bem atual o conjunto mistura em suas composições
muito rock and roll da década de 80, nacional e internacional,
com o bom e velho punk rock e um pouco do estilo que vem
se mostrando cada dia mais forte, o rap.
"Nossa
música é influenciada por muita coisa, mas
as bandas que mais se destacam são os Ramones, Bad
Religion, Inocentes, Cólera, Ira!. Tem também
muito rock como o Legião Urbana, a Plebe Rude e Metallica.
Além disso, por outro lado vem, o Olla com influências
que vão desde Offspring até o rap", explica
o baixista Ricardo.
O
nome escolhido para o grupo é uma crítica
direta ao mundo material em que vivemos. Aliado ao tom crítico
das letras, que falam sobre o dia-a-dia de todo brasileiro,
o grupo prova que o punk rock continua sendo uma forma de
expressão contra todas as injustiças que ocorrem
no País.
"Decidimos
'batizar' a banda com este nome, mas na verdade poderia
ser Pastor Money, Bispo Money, Pai Money, Reverendo Money,
porque sentimos que poderia ser uma forma de protestar ou
mandar um alerta contra essa lavagem cerebral e o consumo
desenfreado que acontece hoje e que se tornou quase que
uma religião" conta Fábio. "Nos
inspiramos na realidade do nosso dia a dia. Seja em algo
que acontece no País, no mundo ou até mesmo
alguma experiência que tenhamos vivido. Quando se
faz letras de protesto, acho que a indignação
estampada em cada verso vem da realidade vivida. Vem de
dentro de você e, em vez de sair quebrando tudo, embora
vontade não falte, colocamos isso em versos e música",
explica o guitarrista João.
Depois
de completar três anos, o conjunto conseguiu gravar
suas primeiras músicas e lançou Não
Sei Mais O Que Sou. Contendo quatro faixas, o
material foi gravado em apenas cinco dias em um estúdio
de Osasco.
"A
gente gravou este CD, na verdade esta demo com quatro músicas,
em Osasco, no estúdio do Thélio R. Ele é
um amigo nosso que sempre foi bastante envolvido na cena
independente e que tem ajudado muito a gente. Foi uma experiência
muito legal e até agora a galera que tem escutado
o resultado diz estar gostando do som", conta Fábio.
Das
faixas gravadas, duas realmente chamam a atenção
e merecem ser tidas como destaques. A primeira música,
"Não Sei Mais O Que Sou", que também
intitula o trabalho, possui uma letra forte que fala sobre
um dos maiores problemas vividos Brasil: a enorme diferença
social entre as pessoas e o descaso de nossos governantes
quanto a isso. Já a segunda, "Justiça",
também critica e comenta sobre uma coisa muito atual
e que preocupa o mundo inteiro.
"Justiça
é para todos nós uma grande música.
Na letra, abordamos a violência de uma forma geral,
mas dando ênfase à violência que acontece
durante a adolescência", explica Cosmo.
Os
integrantes, que trabalham e estudam paralelamente a carreira
do Padre Money!, vêem na rede mundial de computares
sua maior aliada na hora de divulgar seu trabalho. Fábio,
Ricardo, João e Olla são técnicos em
eletrônica, sendo que o vocalista da banda administra
seu tempo entre o grupo, o trabalho e a faculdade de jornalismo.
Já o guitarrista Humberto trabalha com autopeças
e faz administração de empresas.
"Realmente
a Internet é hoje o melhor meio para a divulgação
das bandas independentes", garante João. "Através
dela você consegue atingir seu público e fazer
com que o nome do seu grupo seja divulgado através
de MP3, sites, blogs etc."
Uma
coisa que o grupo considera muito importante e ainda é
um sonho a ser realizado é a gravação
de seu primeiro videoclipe. Mas, como todo grupo independente,
o Padre Money! sofre com o pouco incentivo e ajuda financeira
que o governo dá à cultura em nosso País.
Para
mais informações acesse o site oficial da
banda (www.padremoney.com.br)
ou visite a pagina do grupo na Trama Virtual (www.tramavirtual.com.br/padre_money).
