GRAVE
DIGGER
BODAS DE HEAVY METAL CELEBRADAS NO BRASIL
A
banda alemã, que lançou o polêmico The
Last Supper recentemente, vem ao Brasil para a gravação
do DVD em comemoração pelos 25 anos de carreira
Antonio
Rodrigues Junior
Vinte
e cinco anos de heavy metal é uma marca que poucos
grupos conseguem conquistar, mas é a idade que o
conjunto alemão Grave Digger alcançou este
ano. Para a comemoração das "Bodas de
Prata", a banda escolheu o Brasil como local. O quinteto
estará gravando o DVD comemorativo no próximo
dia 7, no DirecTV Music Hall, na capital paulista. O grupo,
liderado pelo vocalista Chris Boltendahl, promete uma apresentação
especial, que deve englobar toda a trajetória dos
alemães.
Este
ano, o quinteto - que traz ainda Manni Schmidt (guitarra),
Jens Becker (baixo), Stefan Arnold (bateria) e HP Katzenburg
(teclado) - lançou o disco The Last Supper
(A Última Ceia), que pode ser considerado
como o mais polêmico da carreira. Apesar de não
ser um álbum conceitual, o tema central é
a religião, incluindo a crucificação
de Jesus Cristo e o período que o antecedeu.
O
fato que gerou mais manifestações negativas
foi a capa, que traz a imagem de um Cristo desolado e sozinho
em sua última ceia e, atrás dele, a presença
da morte (o velho estereótipo da caveira coberta
por uma capa preta e carregando a foice). A morte, que é
chamada de The Reaper, é o mascote do Grave Digger,
sendo representada nos shows pelo tecladista HP.
Agora,
o quinteto chega ao País para duas apresentações
- a de São Paulo, dia 7, e a outra ocorrerá
um dia antes no Espaço Caldas, em Curitiba -, que
prometem ser históricas. Já que o grupo garante
realizar um show maior trazendo sucessos de todas as fases
do conjunto, desde o álbum de estréia Heavy
Metal Breakdown (84).
"Escolhemos
São Paulo porque é a capital do heavy metal",
anima-se o vocalista Chris em entrevista a Comando Rock.
"Estamos muito excitados em voltar aí, pois
vocês são os fãs mais loucos do mundo.
Iremos celebrar nosso 25o aniversário com um set
list especial. Tocaremos 25 canções de todos
os períodos de nossa história. Acredito que
o lançamento do DVD será em novembro no dia
exato de nosso aniversário. O vídeo digital
também trará uma apresentação
realizada em dezembro, na Alemanha, além das naturais
cenas de backstage e outras especiais, mas não posso
contar neste momento."
Logicamente
que esta turnê pela América do Sul - uma terceira
data em Buenos Aires, Argentina, está agendada -
também será utilizada para divulgação
no novo álbum de estúdio The Last Supper.
O CD de 12 faixas acaba de ser lançado no Brasil
e mostra um heavy metal ainda mais tradicional, deixando
de lado os flertes com as orquestrações, que
foram utilizadas no último trabalho Rheingold
(2003).
"Compomos
em três finais de semana e gravamos em aproximadamente
três semanas", conta o líder. "Nós
queríamos ter uma mistura sonora do The Grave
Digger (2001) e Rheingold e, na minha opinião,
isso funcionou perfeitamente. A música volta a suas
raízes com um som mais moderno."
Desta
forma, o Grave Digger estacionou a trilogia iniciada em
Rheingold. Quando foi lançado, a banda anunciou
que este seria o primeiro trabalho de uma série de
três. O CD, que traz uma sonoridade recheada de orquestrações
e arranjos complexos, foi inspirado na obra Ring of the
Nibelungs, de Richard Wagner. Porém, acabou sendo
deixada em segundo plano com o lançamento no novo
disco.
De
volta ao velho estilo, os temas escolhidos para este CD
foram mais gerais, porém a religião é
o principal. A vida de Jesus Cristo é um dos assuntos
tratados, como ouvimos em "The Last Supper", "Crucified"
e "Divided Cross". Assim, a continuação
da trilogia iniciada no trabalho anterior acabou sendo adiada
para um próximo CD. "Esse álbum não
é conceitual, mas fala sobre um tema principal: a
religião e a fé de todas as formas. Queria
escrever uma canção que falasse sobre a vida
de Cristo há muito tempo e vi que este ano era o
momento certo para isso. Acho que o próximo disco
continuará a trilogia, já tenho algumas boas
idéias para ele. Estou muito orgulhoso com The
Last Supper e também da sonoridade e da arte
dele."
Como
já era de se imaginar, a abordagem religiosa gerou
uma certa discussão já que o tema é
polêmico. Após a divulgação da
capa do disco, alguns fãs se mostraram insatisfeitos,
o que levou o grupo a soltar uma nota deixando claro que
não se tratava de uma mensagem satânica e não
há nada contra os cristãos.
"Em
todos os nossos álbuns você vai achar The Reaper
e não existia um cenário melhor do que colocá-lo
atrás de Jesus, enquanto ele fazia sua última
ceia. Teve duas pessoas dos Estados Unidos reclamando da
imagem. Isso foi tudo. Então, do jeito que eu vejo,
nós não tivemos problema algum com as reações
quanto à arte. Resolvemos emitir a nota para esclarecer
caso outros fãs também se impressionassem
com a capa."
Desta
forma, com uma "boa e velha" polêmica, o
quinteto alemão chega a idade de 25 anos de estrada.
A banda, que surgiu durante o "boom" de grupos
alemães (como Running Wild, Helloween e Accept),
coleciona 17 trabalhos lançados, entre discos de
estúdio, ao vivo e coletâneas. Além
de seu nome registrado nas páginas da história
do heavy metal. "Eu faria tudo o que fiz nos últimos
25 anos de novo. Naturalmente, evitaria erros, como os anos
de Digger (PS: o conjunto assumiu esse nome em 87 e
lançou Stronger Than Ever - disco mais
comercial e voltado ao hard rock), mas tudo junto foi
uma coisa maravilhosa e um tempo muito interessante."
