TIHUANA:
A DEDICAÇÃO SUPERA AS DIFICULDADES
O
grupo, que passou por alguns obstáculos no início
de sua carreira, vem conquistando seu espaço no rock
nacional e prepara seu quarto álbum
Lilian
Vituzzo
Hoje,
o pessoal que acompanha o rock nacional já está
familiarizado com o som do Tihuana. Dono de vários
hits e participações em festivais como o Rock
in Rio, o conjunto vem conquistando seu espaço no
cenário e lançando seus álbuns sempre
por gravadoras multinacionais. Extensas turnês pelo
País e aparições freqüentes em
programas de tevê tornaram-se fatos comuns na carreira
do grupo, que está preparando para este ano seu quarto
trabalho. Mas nem sempre foi assim.
A
falta de espaço para o rock na mídia fluminense
mobilizou os quatro amigos e músicos - Paulo Guilherme
(baterista), Román (baixista ), Baía (percussionista
e vocais) e Léo (guitarrista) - a se mudarem para
São Paulo com a finalidade de divulgarem a antiga
banda chamada Ostheobaldo e o sonho de viverem de música.
Em 99, já na capital paulista, com o fim do grupo,
surgiu uma outra dúvida entre os amigos: buscar o
sonho ou a volta frustrante para o Rio de Janeiro. Nesse
intervalo de tempo, os músicos conheceram o vocalista
Egypcio, em uma feira de surfe em São Paulo.
Egypcio
chamou a atenção de PG (Paulo Guilherme),
que achou bacana o vocal e o jeito dele cantar. Entraram
em contato com o vocalista e começaram a gravar músicas
até formarem uma demo. Com apenas seis canções
prontas, a banda batizada de Tihuana conquistou seu primeiro
contrato pela gravadora multinacional Virgin, cujo álbum
de estréia chamado Ilegal fora lançado.
"Tudo
o que não tínhamos conseguido com nossas bandas
anteriores, conseguimos com o Tihuana. Obtivemos ótima
aceitação da galera, da gravadora, ganhamos
Disco de Ouro, tocamos no festival Rock in Rio e no País
todo. Foi uma surpresa tanta aceitação logo
de primeira", exalta o baixista Román.
Em
2001, lançaram o segundo CD, A Vida nos Ensina,
pela gravadora EMI. O sucesso se repetiu: hits do primeiro
álbum como "Pula", "Ilegal",
"Na Praia Nudista", "Clandestino", "Tropa
de Elite" e "Eu Vi Gnomos" ainda tocavam
incessantemente nas rádios e paradas da MTV juntamente
com os novos sucessos da banda. Emendaram a turnê
do primeiro trabalho no segundo, se apresentaram no Japão
e, quando voltaram ao Brasil, já se preparavam para
a produção do terceiro álbum, Aqui
ou em Qualquer Lugar, produzido por Rick Bonadio e Rodrigo
Castanho, lançado ano passado pela Sony Music.
A
média da banda é de um CD produzido por ano
e seqüenciais turnês. "Com apenas um ano
de turnê desse disco já fomos para o Nordeste
e lugares que nunca havíamos tocado no Brasil. São
quase 300 shows realizados! Tocar ao vivo e divulgar nosso
som são as duas coisas que mais gostamos de fazer!",
relata o baterista PG. Sobre a sucessiva troca de gravadoras,
Román explica: "Sair da Virgin foi alheio à
nossa vontade. Aí, nos sentimos um peixe fora d'água
e pedimos para sair da EMI. A gravadora nos liberou numa
boa e ficamos uns sete meses sem gravadora até aceitarmos
a proposta da Sony. Nesse intervalo, produzimos o nosso
terceiro álbum. Já tínhamos o álbum
pronto quando assinamos o contrato."
Já
comentando o próximo CD, os músicos garantem
que gostam de colocar tudo aquilo que estão fazendo
e compondo naquele momento, motivo pelo qual finalizam um
trabalho sempre diferente do outro.
"Cada um está em casa fazendo um pouco do disco,
formando uma melodia, criando uma letra... Estamos tranqüilos,
tudo está fluindo para esse novo trabalho",
conta Román.
Logo
após o quarto álbum ficar pronto, a banda
entrará em turnê e divulgação
novamente. Aliás, sobre divulgação,
atualmente a tevê aberta está com um restrito
espaço a programas musicais onde as bandas possam
tocar ao vivo e divulgarem suas idéias.
"Antigamente,
tínhamos vários programas legais que as bandas
tocavam ao vivo e eram entrevistadas. Hoje esse número
caiu em 90%", desabafa o percussionista Baía.
"A pirataria está quebrando a todos. As gravadoras
estão sem dinheiro justamente pela fraca vendagem
e os artistas em geral têm sofrido
com isso", afirma Román.
Nesse
quesito pirataria, os meninos têm sido inteligentes
e fazem a parte deles perante os fãs vendendo os
CDs através do site da banda (www.tihuana.com.br)
por um preço bem especial e entregues em todo o País.
"Vendemos nossos discos em nosso site e nos shows por
um preço bem acessível. É uma forma
de passarmos por essa tempestade. O CD chega na casa da
pessoa e , se ela pedir, enviamos autografados e com adesivos.
É uma maneira de estreitarmos os laços com
nossos fãs e combatermos a pirataria", resume
Román.
