Edição #67

A PLACE TO BURY STRANGERS
A NOVA PROMESSA DO SHOEGAZING ATUAL

O grupo norte-americano, que segue a linha criada pelo My Bloody Valentine, está lançando seu primeiro trabalho Exploding Head e já vem sendo apontado como um dos principais nomes deste estilo

Mauricio Melo

O final da década de 80 trouxe a decadência do new wave e a explosão das bandas de Manchester: um novo movimento que arrombou portas, tímpanos e, que por algum motivo ou por ter sido atropelado pela avalanche grunge, ficou soterrado e quase esquecido. Este quase esquecido foi o suficiente para dar nova vida ao shoegazing atual (ps: estilo dentro do rock alternativo marcado pela forte distorção nas guitarras), principalmente com o reaparecimento de My Bloody Valentine aos palcos.

Como naquele final de década, muitas bandas seguiram o rastro do MBV e agora não poderia ser tão diferente. A sensível diferença é que a influência deixada pela banda e seu mítico álbum Loveless fez com que uma nova geração antecipasse esse ressurgimento do shoegazing e não seguisse a trilha simplesmente.

Entre os novos nomes está A Place to Bury Strangers, um trio do Brooklyn que já leva o título de banda mais barulhenta da cidade e já avisam: "a cena atual no Brooklyn já não possui clichês, sem essa de que é para rappers e com todo respeito a outras cenas do mundo como Barcelona, Londres, Rio ou São Paulo, mas Nova York é o lugar". O grupo - formado por Oliver Ackrmann (guitarra/vocal), Jono Mofo (baixo) e Jay (bateria) - não apresenta nada de revolucionário. Utiliza a fórmula de camadas sobre camadas de guitarra para dar a atmosfera psicodélica e barulhenta nas canções.

O único diferencial é que Oliver Ackermann cria seus próprios pedais de efeitos, o que dá ao som algo mais personalizado. Durante a entrevista, ao dizer aos rapazes que eram notáveis influências como The Cure, Bauhaus e até Sisters of Mercy, fui quase carregado nos braços por não compará-los ao Jesus and Mary Chain, que é a comparação mais lógica e direta que a banda recebe, porém deixaram bem claro que nenhuma comparação incomoda e assumem tais influencias: "eram conjuntos que escutávamos antes de começar o nosso".

De uma maneira geral, a banda não parece muito preocupada com o amanhã. A postura mais se assemelha a um grupo punk, deixando claro que planos nem sempre saem como desejam. O trio passou por Barcelona três vezes e já tem uma quarta data marcada. Enquanto preparava o gravador numa mesa de bar onde o garçom estipulava um mínimo a ser consumido, começamos a entrevista de outra forma: acabei sendo surpreendido por Oliver com a primeira pergunta. Como um antigo conhecido, perguntava como estavam as coisas em Barcelona e queria saber um pouco mais do Brasil e da Espanha, essas curiosidades e outros detalhes vocês conferem agora.

(Leia a entrevista completa na versão impressa da Comando Rock que já está nas bancas)

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