A PLACE TO BURY STRANGERS
A NOVA PROMESSA DO SHOEGAZING ATUAL
O grupo norte-americano, que segue a linha criada pelo
My Bloody Valentine, está lançando seu primeiro
trabalho Exploding Head e já vem sendo apontado
como um dos principais nomes deste estilo
Mauricio Melo
O final da década
de 80 trouxe a decadência do new wave e a explosão
das bandas de Manchester: um novo movimento que arrombou
portas, tímpanos e, que por algum motivo ou por ter
sido atropelado pela avalanche grunge, ficou soterrado e
quase esquecido. Este quase esquecido foi o suficiente para
dar nova vida ao shoegazing atual (ps: estilo dentro
do rock alternativo marcado pela forte distorção
nas guitarras), principalmente com o reaparecimento
de My Bloody Valentine aos palcos.
Como naquele final de década, muitas
bandas seguiram o rastro do MBV e agora não poderia
ser tão diferente. A sensível diferença
é que a influência deixada pela banda e seu
mítico álbum Loveless fez com que uma
nova geração antecipasse esse ressurgimento
do shoegazing e não seguisse a trilha simplesmente.
Entre os novos nomes está A
Place to Bury Strangers, um trio do Brooklyn que já
leva o título de banda mais barulhenta da cidade
e já avisam: "a cena atual no Brooklyn já
não possui clichês, sem essa de que é
para rappers e com todo respeito a outras cenas do mundo
como Barcelona, Londres, Rio ou São Paulo, mas Nova
York é o lugar". O grupo - formado por Oliver
Ackrmann (guitarra/vocal), Jono Mofo (baixo) e Jay (bateria)
- não apresenta nada de revolucionário. Utiliza
a fórmula de camadas sobre camadas de guitarra para
dar a atmosfera psicodélica e barulhenta nas canções.
O único diferencial é que
Oliver Ackermann cria seus próprios pedais de efeitos,
o que dá ao som algo mais personalizado. Durante
a entrevista, ao dizer aos rapazes que eram notáveis
influências como The Cure, Bauhaus e até Sisters
of Mercy, fui quase carregado nos braços por não
compará-los ao Jesus and Mary Chain, que é
a comparação mais lógica e direta que
a banda recebe, porém deixaram bem claro que nenhuma
comparação incomoda e assumem tais influencias:
"eram conjuntos que escutávamos antes de começar
o nosso".
De uma maneira geral, a banda não
parece muito preocupada com o amanhã. A postura mais
se assemelha a um grupo punk, deixando claro que planos
nem sempre saem como desejam. O trio passou por Barcelona
três vezes e já tem uma quarta data marcada.
Enquanto preparava o gravador numa mesa de bar onde o garçom
estipulava um mínimo a ser consumido, começamos
a entrevista de outra forma: acabei sendo surpreendido por
Oliver com a primeira pergunta. Como um antigo conhecido,
perguntava como estavam as coisas em Barcelona e queria
saber um pouco mais do Brasil e da Espanha, essas curiosidades
e outros detalhes vocês conferem agora.
(Leia a entrevista completa na versão impressa da
Comando Rock que já está nas bancas)
