Edição #64

METALLICA
RESSUSCITANDO DOS MORTOS, EXORCIZANDO O PASSADO

A banda - que toca em janeiro no Brasil - celebra o bom resultado que seu novo trabalho, Death Magnetic (disco lançado ano passado), vem tendo com o público e crítica, além de falar sobre como foi a experiência de "reviver" o passado a fim de encontrar o que seria esse disco

Miguel Freitas

É difícil prever quando um grupo terá um futuro brilhante ou não passará de seu primeiro ensaio. A única coisa certa é que só dá para saber isso se tentar. Foi isso que Lars Ulrich, jovem dinamarquês de 18 anos que havia se mudado dois anos antes para os Estados Unidos para tentar dar continuidade a sua carreira no tênis, fez quando colocou um anúncio em um jornal de Los Angeles. Lá ele buscava por músicos que se interessavam por tocar coisas como Diamond Head e Iron Maiden. Após algumas respostas e um novo anúncio, o Metallica foi formado. Isso foi há mais de 25 anos.

Desde então muita coisa aconteceu na história dessa banda, que hoje é vista como um dos maiores ícones do thrash metal. Um grande marco de sua carreira foi a entrada do guitarrista Kirk Hammett, em 83, no lugar de Dave Mustaine, líder do Megadeth.

O ano de 86 foi um dos mais significativos para o conjunto. Primeiro pelo sucesso mundial que alcançou com o lançamento de Master Of Puppets. Depois pela trágica forma em que o baixista Cliff Burton morreu, quando a banda excursionava pela Europa e motorista do ônibus no qual viajavam perdeu o controle do veículo. O episódio foi um divisor de águas tanto em sua trajetória quanto em suas vidas e custou a ser superado. Um ano mais tarde, depois de inúmeros testes com diversos músicos, Jason Newsted, grande fã da banda, foi anunciado para o posto que era de Burton.

Durante os anos 2000 o Metallica se manteve bastante ocupado. No primeiro ano do novo século o grupo protagonizou uma grande polêmica quando liderou a batalha judicial contra o programa de compartilhamento de arquivos pela Internet Napster e a troca de músicas sem a permissão dos artistas. Um ano mais tarde Jason Newsted deixou o conjunto de forma conturbada, alegando razões pessoais. Ainda em 2001, o vocalista James Hetfield se internou em uma clínica de reabilitação, onde ficou por cinco meses para tratar de alcoolismo e outros vícios. Dois anos mais tarde, contando com o produtor Bob Rock também no baixo, o Metallica concluiu seu oitavo álbum e lançou St. Anger, considerado o pior álbum de sua carreira. Em 2004 chegou aos cinemas o documentário Some Kind Of Monster, no qual a criação e produção de St. Anger foi registrada, onde a banda também expôs sua vida, os problemas e até sessões de terapia.

Depois de dois anos sem contar com um baixista oficial, a banda encontrou em Robert Trujillo, na época baixista da banda de Ozzy Osbourne e Suicidal Tendencies, o que buscava para um novo integrante.

Dando um início a uma nova fase de sua história, o conjunto norte-americano formado desde 2003 por Lars Ulrich (bateria), James Hetlfied (vocal e guitarra), Kirk Hammett (guitarra) e Robert Trujillo (baixo), lançou no ano passado seu nono disco de estúdio, Death Magnetic. Em seu novo trabalho, o grupo optou por uma grande mudança, chamando o produtor Rick Rubin (Slayer e System Of A Down) para substituir Bob Rock, com quem vinham trabalhando há mais de 15 anos. Rubin, buscando trazer a essência do Metallica de volta, fez com que Ulrich, Hetfield e Hammett recordassem e tentassem de alguma maneira reviver os anos 80.

Esse exercício parece ter dado certo já que, desde o lançamento, o disco vem sendo comparado aos três primeiros álbuns de sua discografia (Kill 'Em All, 83; Ride The Lightning, 84; e Master Of Puppets, 86) e tem recebido ótimas criticas.

E os brasileiros terão a oportunidade de assistir a atual turnê em janeiro. Até o fechamento desta edição, estavam confirmadas duas apresentações: dia 28 de janeiro, em Porto Alegre, no Estádio Zequinha; e dia 30, em São Paulo, no Estádio do Morumbi. Mas há a possibilidade do conjunto também tocar em Brasília, dia 31.

A seguir você confere a entrevista exclusiva que os dois membros fundadores do conjunto, Lars e James, concederam a Comando Rock. Nela, ambos falam da nova fase do Metallica, a parceria do conjunto e Rick Rubin, como foi revisitar o passado para a criação de Death Magnetic, entre muitas outras coisas.

(Leia a entrevista completa na versão impressa da Comando Rock que já está nas bancas)

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