METALLICA
RESSUSCITANDO DOS MORTOS, EXORCIZANDO O PASSADO
A banda - que toca em janeiro no Brasil - celebra o bom
resultado que seu novo trabalho, Death Magnetic (disco
lançado ano passado), vem tendo com o público
e crítica, além de falar sobre como foi a
experiência de "reviver" o passado a fim
de encontrar o que seria esse disco
Miguel Freitas
É difícil
prever quando um grupo terá um futuro brilhante ou
não passará de seu primeiro ensaio. A única
coisa certa é que só dá para saber
isso se tentar. Foi isso que Lars Ulrich, jovem dinamarquês
de 18 anos que havia se mudado dois anos antes para os Estados
Unidos para tentar dar continuidade a sua carreira no tênis,
fez quando colocou um anúncio em um jornal de Los
Angeles. Lá ele buscava por músicos que se
interessavam por tocar coisas como Diamond Head e Iron Maiden.
Após algumas respostas e um novo anúncio,
o Metallica foi formado. Isso foi há mais de 25 anos.
Desde então muita coisa aconteceu
na história dessa banda, que hoje é vista
como um dos maiores ícones do thrash metal. Um grande
marco de sua carreira foi a entrada do guitarrista Kirk
Hammett, em 83, no lugar de Dave Mustaine, líder
do Megadeth.
O ano de 86 foi um dos mais significativos
para o conjunto. Primeiro pelo sucesso mundial que alcançou
com o lançamento de Master Of Puppets.
Depois pela trágica forma em que o baixista Cliff
Burton morreu, quando a banda excursionava pela Europa e
motorista do ônibus no qual viajavam perdeu o controle
do veículo. O episódio foi um divisor de águas
tanto em sua trajetória quanto em suas vidas e custou
a ser superado. Um ano mais tarde, depois de inúmeros
testes com diversos músicos, Jason Newsted, grande
fã da banda, foi anunciado para o posto que era de
Burton.
Durante os anos 2000 o Metallica se manteve
bastante ocupado. No primeiro ano do novo século
o grupo protagonizou uma grande polêmica quando liderou
a batalha judicial contra o programa de compartilhamento
de arquivos pela Internet Napster e a troca de músicas
sem a permissão dos artistas. Um ano mais tarde Jason
Newsted deixou o conjunto de forma conturbada, alegando
razões pessoais. Ainda em 2001, o vocalista James
Hetfield se internou em uma clínica de reabilitação,
onde ficou por cinco meses para tratar de alcoolismo e outros
vícios. Dois anos mais tarde, contando com o produtor
Bob Rock também no baixo, o Metallica concluiu seu
oitavo álbum e lançou St. Anger, considerado
o pior álbum de sua carreira. Em 2004 chegou aos
cinemas o documentário Some Kind Of Monster,
no qual a criação e produção
de St. Anger foi registrada, onde a banda também
expôs sua vida, os problemas e até sessões
de terapia.
Depois de dois anos sem contar com um
baixista oficial, a banda encontrou em Robert Trujillo,
na época baixista da banda de Ozzy Osbourne e Suicidal
Tendencies, o que buscava para um novo integrante.
Dando um início a uma nova fase
de sua história, o conjunto norte-americano formado
desde 2003 por Lars Ulrich (bateria), James Hetlfied (vocal
e guitarra), Kirk Hammett (guitarra) e Robert Trujillo (baixo),
lançou no ano passado seu nono disco de estúdio,
Death Magnetic. Em seu novo trabalho, o grupo optou
por uma grande mudança, chamando o produtor Rick
Rubin (Slayer e System Of A Down) para substituir Bob Rock,
com quem vinham trabalhando há mais de 15 anos. Rubin,
buscando trazer a essência do Metallica de volta,
fez com que Ulrich, Hetfield e Hammett recordassem e tentassem
de alguma maneira reviver os anos 80.
Esse exercício parece ter dado
certo já que, desde o lançamento, o disco
vem sendo comparado aos três primeiros álbuns
de sua discografia (Kill 'Em All, 83; Ride The
Lightning, 84; e Master Of Puppets, 86) e tem
recebido ótimas criticas.
E os brasileiros terão a oportunidade
de assistir a atual turnê em janeiro. Até o
fechamento desta edição, estavam confirmadas
duas apresentações: dia 28 de janeiro, em
Porto Alegre, no Estádio Zequinha; e dia 30, em São
Paulo, no Estádio do Morumbi. Mas há a possibilidade
do conjunto também tocar em Brasília, dia
31.
A seguir você confere a entrevista
exclusiva que os dois membros fundadores do conjunto, Lars
e James, concederam a Comando Rock. Nela, ambos falam
da nova fase do Metallica, a parceria do conjunto e Rick
Rubin, como foi revisitar o passado para a criação
de Death Magnetic, entre muitas outras coisas.
(Leia a entrevista completa na versão impressa da
Comando Rock que já está nas bancas)
