RODOLFO ABRANTES
LAVÔ TA NOVO
Rodolfo Abrantes, ex-vocalista dos Raimundos, oito anos
após sua saída da banda, conta tudo sobre
como tomou a decisão de deixar a trupe no auge, seu
atual trabalho, o que acha de artistas que se convertem
apenas para se promover e ainda confessa ter vergonha de
um dia ter tocado nos Raimundos
Fernando Guilherme Ferreira
O ano era 2001 e os Raimundos
eram a banda brasileira número 1 da época.
Digão, Fred, Canisso e Rodolfo arrastavam multidões,
dividiam palco com Mark Ramone, lançavam discos cantados
de cabo a rabo pela galera, faziam turnês pela Europa,
tocavam (ao vivo) nos principais programas de rádio,
tevê e vendiam milhões de CDs. Fãs-clubes
se multiplicavam, os ingressos para as apresentações
se esgotavam e era comum ver a garotada com a camiseta "raimundica"
no corpo com a escrita: "Rock cabra-macho".
A banda estava em seu melhor momento e
os seguidores só sabiam dizer: "É por
isso que o Raimundos nunca vai se acabar!", frase dita
na música "Marujo", do CD homônimo
de estréia da banda, lançado em 94. Não
que a banda nunca fosse acabar, mas era quase certo na cabeça
de todos que, se um dia acabasse, não seria naquele
momento mágico vivido pelos quatro integrantes. Afinal,
quem seria louco de acabar com a própria banda no
auge, depois de tanta luta para chegar no topo?
Pois o inesperado aconteceu. Com o fim
da turnê MTV Ao Vivo, o vocalista Rodolfo comunicou
aos demais integrantes que não fazia mais parte da
banda. Os caras ficaram sem entender o que houve com o ex-vocal,
ainda mais pelo motivo apresentado por ele que alegou ter
"encontrado Jesus" e que não seguiria para
a gravação do próximo álbum
de inéditas.
Rodolfo dizia que estava vivendo um momento
infeliz e que não cabia mais no gruo. Repensou seus
princípios, seus conceitos e chegou a conclusão
de que não tinha mais paz, não suportava mais
aquilo tudo e que só cantava o que vivia, o que já
não estava mais acontecendo. A partir daquele momento,
Rodolfo passou por uma grande luta contra a mídia
e contra muitos de seus fãs que não aceitavam
sua posição de deixar o grupo para se converter
ao cristianismo.
Os Raimundos eram conhecidos por serem
a banda mais "cretina, machista e safada" da música
brasileira. Rodolfo cantava os palavrões mais cabeludos
fosse em um barzinho da esquina ou fosse na Xuxa. O relacionamento
afetivo com seus ex-companheiros Fred e Digão definitivamente
chegava ao fim. Eles diziam que o Rodolfo não pensava
no próximo, nas contas para pagar, no emprego da
equipe e no contrato com a gravadora. Com Canisso foi um
pouco diferente, apesar do baixista não ter gostado
nenhum pouco do acontecido, segurou mais a barra nas críticas,
pois era o integrante que tinha (e têm) mais proximidade
com o ex-vocal.
Desde então, o Raimundos teve de
improvisar com o guitarrista Digão nos vocais para
seguir sua caminhada sem deixar os compromissos e objetivos
irem por água abaixo. Hoje, também sem Fred
na bateria, o Raimundos vem respirando com a ajuda de aparelhos,
tentando manter acesa a chama sacana do nosso rock com novos
músicos e trabalhos com bem menos repercussão
na mídia (apesar de serem bons trabalhos), até
pela onda "emo" que tomou conta dos nossos ouvidos.
Em 2002, Rodolfo lançou Estreito,
o álbum de estréia da sua nova banda de hardcore,
o Rodox. Na seleção de músicos que
escolheu para acompanhá-lo não tinham evangélicos
e o som era tão pesado quanto seus trabalhos com
os Raimundos. O diferencial do Rodox eram justamente as
letras. Em uma das canções o vocal dizia:
"Glória a Deus", mostrando ao público
sua nova fase, após cantar petardos como "Tora
Tora", "Eu Quero Ver o Oco" e "O Pão
da Minha Prima". Rodox também não resistiu
ao tempo e encerrou as atividades após dois CDs lançados.
A banda acabou após uma discussão dos integrantes
ao final de um show em Salvador.
A cada dia que se passava, Rodolfo se
via mais religioso e com mais vontade de servir a Deus,
mas não conseguiria ficar sem a música, sua
fonte de inspiração. Descobriu então,
na própria música, uma forma de evangelizar
o público roqueiro, seus admiradores de longa data
e agora segue em carreira solo. Em 2006, lançou seu
disco de estréia Santidade ao Senhor e, em
2007, o álbum Enquanto É Dia. Com um
som bem menos porrada do que o habitual, Rodolfo Abrantes
(de 37 anos), agora louva sem dó nem piedade, as
letras são realmente no estilo gospel e, segundo
o músico, agora "canta para Cristo".
Muitos
vão se perguntar: O que o Rodolfo está fazendo
na Comando Rock hoje em dia? Explicaremos: Rodolfo
conquistou, com anos de trabalho, o que muita banda vai
ter de ralar muito para conseguir. Influenciou muita gente
boa que está aí hoje e por isso que a Comando
Rock foi trocar uma idéia com ele, pois é
um grande mito do rock nacional e a música brasileira
deve muito a ele.
(Leia a entrevista completa na versão impressa da
Comando Rock que já está nas bancas)
