TITÃS
DINOSSAUROS VIVOS
Conjunto lança primeiro disco de inéditas
em seis anos no qual faz uma viagem no tempo, resgatando
elementos que usava nos anos 80 em seu som
Paula Fabri
Antes do rock nacional
estourar nas rádios do País inteiro, a MPB
era o estilo que dominava os ouvidos dos brasileiros. Mas,
a partir dos anos 80, isto mudou. O rock 'n' roll importado
dos Estados Unidos, que há algumas décadas
já havia conquistado o mundo, agora ganhava uma nova
roupagem que fez com que pessoas de todas as idades se identificassem
tanto com o som quanto com suas mensagens. Um dos maiores
ícones desse momento histórico para nossa
música foi o Titãs. O conjunto paulista é
visto como um dos representantes do quarteto sagrado do
rock brasileiro, acompanhado por Paralamas do Sucesso, Barão
Vermelho e Legião Urbana.
Mais de 25 anos depois, o Titãs
está de volta com seu 12º disco de estúdio,
batizado Sacos Plásticos. Sonoramente o grupo
resgata a mistura de rock, pop, punk e reggae que fazia
no início de sua carreira e ainda acrescenta a programação
eletrônica, que também usou em seu passado
e pode ser vista em álbuns como Jesus Não
Tem Dentes No País Dos Banguelas, de 87, e Ô
Blésq Blom, de 89. Uma das grandes surpresas
é a participação especial do guitarrista
Andreas Kisser (Sepultura) em uma das faixas. Em seu conteúdo
a banda questiona a consciência social do mundo que
convive com o consumismo desenfreado e acha normal, ao mesmo
tempo em que volta a falar de amor, provando ser um disco
do Titãs de verdade.
O conjunto foi formado em 82, época
em que a maioria dos seus nove integrantes - André
Jung, Arnaldo Antunes, Branco Mello, Ciro Pessoa, Nando
Reis, Marcelo Fromer, Paulo Miklos, Sérgio Britto
e Tony Bellotto - freqüentavam o mesmo colégio.
Em 85, Ciro Pessoa já havia deixado o grupo e Charles
Gavin entrou no lugar do baterista André Jung, que
viria tomar o lugar do próprio Gavin na banda Ira!.
Assim o Titãs encontrou a formação
que iria perdurar por sete anos - composta por Arnaldo Antunes
(vocal), Branco Mello (vocal e baixo), Nando Reis (vocal
e baixo), Marcelo Fromer (guitarra), Paulo Miklos (vocal
e guitarra), Sérgio Britto (vocal e baixo) e Tony
Bellotto (guitarra) - e seria responsável por um
de seus trabalhos mais importantes, o álbum Cabeça
Dinossauro, terceiro disco de estúdio do grupo.
Desde então se passaram quase 25
anos e muita história foi escrita. Em 92 Arnaldo
Antunes deixou o conjunto para seguir carreira solo. Em
2001, o grupo passou por um grande choque quando o guitarrista
Marcelo Fromer morreu, vítima de um acidente no qual
foi atropelado por um motoqueiro quando corria pelas ruas
de São Paulo. Ainda se recuperando da perda de Fromer,
o Titãs se viu mais uma vez desfalcado quando o baixista
Nando Reis resolveu sair para, como Antunes, se focar em
seu projeto solo.
Desde então o Titãs mantém a mesma
formação e de tempos em tempos entra de férias
para que seus integrantes consigam se dedicar a projetos
paralelos. Como é o caso do filme dirigido pelo baixista
Branco Mello e Oscar Rodrigues Alves, Titãs -
A Vida Parece Uma Festa, lançado recentemente,
no qual a trajetória do conjunto foi registrada.
A seguir você confere a entrevista
concedida pelo baterista do conjunto, Charles Gavin, na
qual o músico falou sobre o lançamento de
Sacos Plásticos, a história do conjunto,
o filme que ilustra tudo isto e muito mais.
(Leia a entrevista completa na versão impressa da
Comando Rock que já está nas bancas)
