COMANDO SOLIDÁRIO: INSAT - INSTITUTO
SUPERAÇÃO TOTAL
SEM LIMITES PARA AS LIMITAÇÕES!
Produtor musical e cadeirante cria projeto visando os
direitos e bem-estar de deficientes físicos
Paula Fabri
Durante muitos anos ter
consciência social não era tido como algo "legal".
Mas, com o crescimento da conscientização
de que solidariedade pode melhorar e até salvar vidas,
hoje o assunto é tido como algo sério. Assim,
a criação e o crescimento de ONGs e fundações
que têm como objetivo ajudar ao próximo, aos
poucos, vão dando esperança a estas pessoas
mais necessitadas, dando-lhes oportunidades de uma vida
melhor.
Fazer algo bom pelo outro é um exercício que
qualquer um pode fazer, basta querer. Dessa forma, Jackson
Paula, dono do selo musical Heaven's Music, resolveu criar
o INSAT, Instituto SuperAção Total. O produtor
de eventos decidiu pegar as próprias experiências
como cadeirante (usuário de cadeira de rodas) para
auxiliar pessoas portadoras das mais diversas deficiências
seja ela física, mental, visual, auditiva, problemas
de obesidade e outras.
O INSAT ainda está engatinhando,
tendo menos de um ano de vida, mas os planos são
grandiosos: os principais objetivos são a luta pelos
direitos dos deficientes e a integração destas
pessoas à sociedade. E, para conseguir coloca-los
em ação, Jackson idealizou um evento musical,
o festival SuperAction Rock Night I. O objetivo desse
projeto é unir o rock com o ato de ser solidário
e divulgar as idéias do instituto e também
promover o trabalho das bandas envolvidas. Isto é,
entreter as pessoas com consciência.
A seguir você confere a entrevista
concedida por Jackson Paula, onde o idealizador do INSAT
falou sobre como tudo começou, a proposta desse projeto
e muito mais.
Comando
Rock: Quando teve a idéia de montar o INSAT?
Jackson Paula: Sempre tive vontade de fazer
algum trabalho social para ajudar a melhorar o mundo. Como
cadeirante passo por imensas dificuldades, mas felizmente
elas não me impediram de correr atrás dos
meus sonhos. Quando eu e minha esposa ganhamos personagens,
baseados em nós, feitos pelo desenhista Marcio Baraldi
(o Gutinho e a Pituka) pensamos: por que não usar
aquela imagem alegre, saudável e positiva para conscientizar
as pessoas sobre o que é ser alguém com deficiência
física? Mostrar ao cidadão "normal"
a idéia que ele pode ajudar muito se tiver boa vontade.
E o desafio é fazer isto sem despertar sentimento
de pena, buscando justiça, responsabilidade social!
Até porque qualquer um pode se tornar uma pessoa
com necessidades especiais. E, ao mesmo tempo, provar para
aqueles que possuem limitações que é
possível ter uma vida normal, ativa e digna!
Além
de idealizador desse projeto, você também é
portador de deficiência. Queria que contasse sobre
suas próprias experiências.
Meu problema físico começou a se manifestar
quando dei meus primeiros passos. Meus pais notaram uma
pequena anormalidade em meu caminhar e, preocupados, levaram-me
ao médico. Infelizmente, naquela época, a
medicina não possuía a tecnologia para descobrir
com exatidão qual era o problema. Durante seis meses
usei botas ortopédicas. Hoje sei que se trata de
"Amiotrofia Espinhal Tipo II", uma doença
que afeta a musculatura do individuo, levando-o para a cadeira
de rodas. Fui desenganado e disseram que não viveria
mais que 18 anos. Hoje tenho 34 anos e nunca me senti para
baixo por causa dessa deficiência, pois para mim a
pior deficiência é aquela que afeta a moral
e conduta do indivíduo. Por isso sempre busquei viver
normalmente e da melhor forma possível.
Quais
as maiores dificuldades que enfrentou?
Diversos problemas familiares, falta de oportunidades tanto
para estudar quanto para trabalhar, preconceito das pessoas,
não poder ir a determinados lugares por falta de
transporte ou acesso. Mas, as barreiras existem para serem
superadas! Meu lema é: sem limites para as limitações!
Quais
são os objetivos do INSAT?
O principal é ser um instrumento de luta pelos direitos
de todos aqueles que possuem algum tipo de limitação.
Derrubar preconceitos, melhorar a qualidade de vida e desenvolver
uma conscientização quanto à integração
das pessoas com deficiência (física, mental,
visual, auditiva, problemas de obesidade etc) na sociedade.
E não queremos fazer isto apenas em nossa cidade,
Praia Grande e região, mas aonde nossa mensagem alcançar!
Mostrar as pessoas "normais" e a quem possui alguma
deficiência que, independente das limitações,
todos têm direitos como trabalhar, estudar, se divertir.
Como
uma pessoa que é deficiente pode ser beneficiada
pelo Instituto?
Ainda estamos no começo do trabalho, mas temos um
planejamento a médio-longo prazo onde pretendemos
auxiliar pessoas com deficiências de diversas formas.
Seja com doações, oferecendo fisioterapia
e cursos profissionalizantes já que não existe
muita coisa nesse sentido para esta parte da população.
No momento podemos beneficiá-los com o desenvolvimento
dessa consciência.
Como
funciona o trabalho de vocês?
Como disse, estamos no início do trabalho e ele está
dividido por fases, pois infelizmente não podemos
fazer tudo de uma vez. Por hora, o importante é divulgar
a existência da instituição e nossa
causa, promovendo campanhas, palestras e atividades de conscientização
sobre o assunto. Nesta fase estamos procurando nos estabelecer
financeiramente, formalizando parcerias para obter recursos
e dar continuidade aos nossos programas. Em paralelo, fazemos
campanhas para arrecadar alimentos e roupas que distribuímos
a quem precisa, pois essas necessidades não esperam!
Vale lembrar que nosso propósito é atender
os portadores de necessidade especiais, mas também
temos um compromisso com a população carente.
A
postura do Instituto é bastante realista, sabendo
que em parte os problemas não serão resolvidos.
Como pretendem enfrentar e superar tais situações?
Acredito que um dos maiores males da humanidade é
não saber lidar com a realidade. A realidade é
dura e, às vezes cruel, mas temos de aprender a conviver
com ela. Assim, mesmo quando sabemos que não vamos
conseguir resolver algo, a chave é não se
acomodar e lamentar, mas trabalhar com o que temos a mão
para mudar algo! Sei que problemas como limitações
físicas causadas por doenças é sempre
muito complicado de resolver, porém podemos amenizar
com um bom equipamento, com assistência. Então
vamos sempre lutar nesse sentido. Mas há questões
como a limitação física arquitetônica
imposta pela sociedade que podemos mudar com um mínimo
de boa vontade!
Muitas
melhorias que podem ser feitas na parte urbana acabam se
tornando uma questão política que envolve
negociação e paciência. Como encarar
esse fato?
Sempre perseverar e nunca se sentir inferior a situação!
Se todas as pessoas que têm alguma limitação,
seus familiares e amigos, tiverem consciência de que
todos têm o mesmo direito - o direito de ir e vir
a hora que quiser - e reivindicarmos isto de verdade, com
certeza as coisas mudam! Tanto o governo, os comerciantes,
empresários do turismo e de entretenimento têm
de perceber que pessoas que têm uma necessidade especial
também pagam seus impostos. Tenho de pagar minhas
contas e impostos como qualquer outro cidadão. Com
isso, teoricamente tenho direito de pegar um ônibus
e ir a qualquer lugar a qualquer hora, certo? Mas não
é o que acontece! Aqui (Praia Grande) tenho de andar
com uma tabela de horários do ônibus adaptado
para poder me locomover! E me pergunto por que a diferença?
Meu dinheiro é inferior ao de quem pode pegar condução
comum? Isto acontece em várias outras áreas
e é algo que tem de mudar.
Além
dos empecilhos físicos, pessoas com deficiências
também enfrentam o preconceito. Como conscientizar
que deficiência física não é
um defeito de caráter?
Acho que a questão não é nem colocar
no âmbito do caráter, pois não é
o fato dela ter alguma limitação física
que a faz ou não ser acomodada, preguiçosa,
safada... Falando por mim, a primeira impressão que
causo nas pessoas é o sentimento de "coitado"
por eu ter um sério problema na coluna e praticamente
não movimentar meus braços. Assim, acham que
sou digno de dó, que não posso fazer nada.
Mas, quando tenho a oportunidade de mostrar quem sou, minha
essência (com defeitos e qualidades), a coisa muda
de figura. O problema é que nem todos estão
dispostos a conhecer o outro profundamente e julgam "o
livro pela capa"! Infelizmente isso acontece. Então
todo dia para nós é o dia da "superação
total", hora de mostrar algo além do exterior!
Acho que somente dessa maneira vamos conseguir diminuir
cada vez mais esse preconceito!
O
Instituto tem planos para diversos programas onde o maior
objetivo à inclusão de deficientes em diversas
áreas. Como funcionam exatamente esses programas?
Nem todos estão funcionando como pretendemos, até
porque a instituição tem menos de seis meses
de existência. Mas, a idéia é promover
o desenvolvimento dessas pessoas, principalmente as que
não tem a mínima condição financeira.
Despertar talentos e capacita-las para a vida profissional!
Também pretendemos fazer atividades na área
social, como doações de produtos necessários
no dia-a-dia. E atividades civis sempre procurando estar
no pé do governo municipal, da sociedade, exigindo
o cumprimento das leis e propondo melhorias. É bom
frisar que nosso foco é ir além das pessoas
com deficiência, vai até seus familiares, que
muitas vezes não estão preparados para lidar
com a situação. Acredito que o segredo em
qualquer trabalho é nunca achar que sabe ou se pode
tudo!
O
INSAT também oferece palestras. Qual o teor destas
palestras?
Tudo gira em torno da questão das limitações
físicas, conscientização e aspecto
técnico do que pode ser melhorado na qualidade de
vida. O conteúdo de nossas palestras sempre é
no sentido de motivar. Mostrar a todos que não existem
limites para as limitações, sejam quais forem.
Provar que a força de vontade e perseverança
podem fazer muita diferença em nossa vida e que nada
é impossível quando acreditamos!
O
INSAT está organizando um festival que irá
reunir diversos artistas, o SuperAction Rock Night
I. Como surgiu a idéia de produzir este evento
e do que se trata?
Mesmo não sendo músico, a música é
essencial na minha vida! Trabalho como produtor executivo
de várias bandas, além de produzir eventos
através do meu selo/produtora, a Heavens Music Produções
(www.heavensmusic.com.br).
Além de trabalhar com vários gêneros
musicais dentro da cena cristã, também fazemos
eventos com bandas e atividades fora desta cena sem nenhum
preconceito. Acredito que o rock é mais do que um
estilo musical: é um estilo de vida, independente
das ideologias! Desde o começo da criação
do nosso instituto sempre quis usar a experiência
e meus conhecimentos dentro da área musical a favor
desse trabalho. Vejo a música como um grande instrumento
de contestação, que mexe com sentimentos,
idéias e pensamentos! O SuperAction Rock Night
tem por objetivo divulgar o trabalho de todos os envolvidos
de maneira séria e profissional, além de fazer
uma noite de confraternização regada a muito
rock'n'roll e um apelo social, já que a proposta
também é levantar fundos e mostrar o trabalho
do INSAT. Neste primeiro evento contaremos com as bandas
Heavenly Kingdom, No Sense, Forka, Chaosfear e The Four
Horsemen. E também com a presença especial
de Marcello Pompeu, vocalista do Korzus. Todos aceitaram
o convite de imediato e se colocaram à disposição
para ajudar no que for possível, abrindo mão
de cachê e refazendo suas agendas para estar disponível
no dia.
De
que forma as pessoas podem ajudar o Instituto?
Para aqueles que quiserem nos ajudar de alguma maneira,
por favor visite a nossa página www.insat.org.br
e conheçam melhor nossos propósitos e objetivos.
No momento buscamos parceiros para a fabricação
do nosso material de divulgação (banners,
folder, panfletos). Em breve vamos disponibilizar uma conta
bancária para qualquer tipo de doação
financeira. Independente do aspecto da ajuda material, contamos
com o apoio de todos com vibrações positivas,
energia vital nos dando força para nunca desistirmos
da nossa batalha!
(Leia a entrevista completa na versão impressa da
Comando Rock que já está nas bancas)
