Edição #49

CAPITAL INICIAL
ELES NÃO DIZEM ADEUS

A banda, uma das remanescentes dos anos 80, grava um DVD ao vivo para um público de mais de um milhão de pessoas na Esplanada dos Ministérios, em Brasília

Eduardo Collaço

Os anos 80 foram marcados pelo surgimento de dezenas de bandas de rock no cenário nacional e esse fenômeno se concentrou mais nos principais centros do País à época - São Paulo, Rio de Janeiro e na distante Brasília. As duas primeiras cidades abriram (algum) espaço em suas rádios para essa nova onda, antecipando e propagando a urgência daquela juventude em se expressar.

Aos poucos os grupos foram se sedimentando (outros tantos se diluindo) e algumas bandas se firmaram, caindo nas graças de toda uma geração, fosse pela qualidade, identidade ou mesmo pela própria irreverência nas letras e batidas. São Paulo teve o Ira!, Titãs, RPM e o Ultraje a Rigor como seus maiores expoentes. O Rio, por sua vez, consagrou o Barão Vermelho, Blitz e Kid Abelha. E Brasília atacou com a Plebe Rude, Legião Urbana e Capital Inicial. Mereceram ainda menção honrosa os baianos do Camisa de Vênus e os gaúchos do Engenheiros do Hawaii.

Mas o tempo foi passando e por razões diversas - que envolveram egos, tragédias, drogas, separações, as lamentáveis tendências impostas pelo mercado fonográfico e tudo mais que faça parte no mundo da música - muitos sonhos viraram pesadelos. Ainda assim, das bandas "clássicas", o Capital Inicial conseguiu a proeza de se manter vivo e lúcido por todos esses anos, ainda que tenha experimentado sua provação com a saída e volta do seu vocalista, Dinho Ouro Preto (substituído num período pelo santista Murilo Lima) e, em passado recente, pela troca do seu guitarrista original, Loro Jones, por Yves Passarell.

Superando o baixo astral que envolveu o grupo durante boa parte dos anos 90, o Capital Inicial retomou o fôlego original lançando em 98 o álbum Atrás dos Olhos e, logo depois (em 2000), o seu trabalho mais marcante e popular, o Acústico MTV, sucesso de crítica, com vendas superiores a um milhão de cópias, e dois anos de turnê por todo o País.

Na seqüência vieram dois trabalhos de estúdio: Rosas e Vinho Tinto (2002) e Gigante (2004), e uma justa homenagem às origens da banda através do CD Aborto Elétrico, em 2005. E, para finalizar este ciclo, lançou mais um álbum de inéditas: Eu Nunca Disse Adeus (2007).

Agora, para comemorar esses últimos dez anos de sucesso, o Capital Inicial voltou em grande estilo a Brasília para gravar um DVD ao vivo em parceria com o canal fechado Multishow numa data igualmente marcante: o feriado nacional de 21 de abril, data da fundação da nossa Capital Federal. O DVD deve ser lançado em julho.

O local escolhido para a gravação foi a Esplanada dos Ministérios. O público, estimado em quase um milhão de pessoas, fez sua parte nas duas horas de show, cantando alto e em coro os maiores sucessos da banda, inclusive invadindo por várias vezes o palco, o que deu grande trabalho para a segurança.

(Leia a entrevista completa na versão impressa da Comando Rock que já está nas bancas)

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