CAPITAL INICIAL
ELES NÃO DIZEM ADEUS
A banda, uma das remanescentes dos anos 80, grava um
DVD ao vivo para um público de mais de um milhão
de pessoas na Esplanada dos Ministérios, em Brasília
Eduardo Collaço
Os anos 80 foram marcados
pelo surgimento de dezenas de bandas de rock no cenário
nacional e esse fenômeno se concentrou mais nos principais
centros do País à época - São
Paulo, Rio de Janeiro e na distante Brasília. As
duas primeiras cidades abriram (algum) espaço em
suas rádios para essa nova onda, antecipando e propagando
a urgência daquela juventude em se expressar.
Aos poucos os grupos foram se sedimentando
(outros tantos se diluindo) e algumas bandas se firmaram,
caindo nas graças de toda uma geração,
fosse pela qualidade, identidade ou mesmo pela própria
irreverência nas letras e batidas. São Paulo
teve o Ira!, Titãs, RPM e o Ultraje a Rigor como
seus maiores expoentes. O Rio, por sua vez, consagrou o
Barão Vermelho, Blitz e Kid Abelha. E Brasília
atacou com a Plebe Rude, Legião Urbana e Capital
Inicial. Mereceram ainda menção honrosa os
baianos do Camisa de Vênus e os gaúchos do
Engenheiros do Hawaii.
Mas o tempo foi passando e por razões
diversas - que envolveram egos, tragédias, drogas,
separações, as lamentáveis tendências
impostas pelo mercado fonográfico e tudo mais que
faça parte no mundo da música - muitos sonhos
viraram pesadelos. Ainda assim, das bandas "clássicas",
o Capital Inicial conseguiu a proeza de se manter vivo e
lúcido por todos esses anos, ainda que tenha experimentado
sua provação com a saída e volta do
seu vocalista, Dinho Ouro Preto (substituído num
período pelo santista Murilo Lima) e, em passado
recente, pela troca do seu guitarrista original, Loro Jones,
por Yves Passarell.
Superando o baixo astral que envolveu
o grupo durante boa parte dos anos 90, o Capital Inicial
retomou o fôlego original lançando em 98 o
álbum Atrás dos Olhos e, logo depois
(em 2000), o seu trabalho mais marcante e popular, o Acústico
MTV, sucesso de crítica, com vendas superiores a
um milhão de cópias, e dois anos de turnê
por todo o País.
Na seqüência vieram dois trabalhos
de estúdio: Rosas e Vinho Tinto (2002) e Gigante
(2004), e uma justa homenagem às origens da banda
através do CD Aborto Elétrico, em 2005.
E, para finalizar este ciclo, lançou mais um álbum
de inéditas: Eu Nunca Disse Adeus (2007).
Agora, para comemorar esses últimos
dez anos de sucesso, o Capital Inicial voltou em grande
estilo a Brasília para gravar um DVD ao vivo em parceria
com o canal fechado Multishow numa data igualmente
marcante: o feriado nacional de 21 de abril, data da fundação
da nossa Capital Federal. O DVD deve ser lançado
em julho.
O local escolhido para a gravação
foi a Esplanada dos Ministérios. O público,
estimado em quase um milhão de pessoas, fez sua parte
nas duas horas de show, cantando alto e em coro os maiores
sucessos da banda, inclusive invadindo por várias
vezes o palco, o que deu grande trabalho para a segurança.
(Leia a entrevista completa na versão impressa da
Comando Rock que já está nas bancas)
