Edição #47

OZZY OSBOURNE
ELE NÃO QUER (E NÃO) VAI PARAR

O ex-vocalista do Black Sabbath prova, com seu novo álbum Black Rain e com os recentes shows no Brasil, que sua aposentadoria na música ainda está longe de ocorrer

Marcos Filippi

Ozzy Osbourne não foi apenas o vocalista do Black Sabbath, banda que ajudou a criar o estilo mais pesado e um dos mais polêmicos do rock: o heavy metal. Também não pode ser lembrado apenas por sua carreira solo que está chegando perto dos 30 anos de existência. O cantor é um mito. Um astro do rock que pode ser comparado (tanto por sua importância quanto por ser um excêntrico) a nomes como Mick Jagger, Paul McCartney (talvez o maior ídolo do próprio Ozzy), Jimi Hendrix ou Elvis Presley. Dono de uma voz inigualável - pode não ser o melhor vocalista, mas é indiscutível que logo nos primeiros segundos de uma música você já sabe quem está segurando o microfone - e protagonista de dezenas de histórias marcantes, Ozzy já tem seu nome imortalizado e marcado na trajetória do rock and roll.

Prestes a completar 60 anos, o "Mr. Madman" teve uma vida de excessos. Declarou, nos anos 80, que tentou várias vezes o suicídio quando adolescente e que ele e o baterista Bill Ward, quando estavam no Black Sabbath, tomaram ácido diariamente durante dois anos. Cansou de ser declarado persona non grata mundo afora. Em 82, foi expulso de San Antonio, no Texas, após ter urinado no Álamo, um símbolo local. Em 90, o cardeal nova-iorquino John O'Connor destinou a Ozzy um violento sermão anti-rock. Foi considerado psicopata e satanista. Foi preso algumas vezes por furto e por porte de drogas, além de ser acusado (e posteriormente inocentado pela Justiça) de ser o responsável pelo suicídio de um fã devido à letra de um de seus principais sucessos "Suicide Solution". Ficou conhecido mundialmente fora do mundo roqueiro por ter arrancado a cabeça de um morcego (lançado por um fã) em pleno palco, o que lhe ocasionou alguns problemas de saúde. "Isso foi há muito tempo. Não me arrependo de ter feito isso, porque meu destino me levou a isso. Mas posso dizer que não foi bom", declarou o músico.

Mais recentemente virou moda mundo afora devido a seu reality show transmitido pela MTV, The Osbournes (2002). O programa, que mostrava o dia-a-dia do vocalista juntamente com sua (excêntrica) família, fez com que muitos fãs e críticos achassem que sua carreira musical estava chegando ao fim, ao mesmo tempo em que a aposentadoria dos palcos e dos estúdios mostrava-se cada vez mais próxima. Um senhor que gagueja, tem dificuldades em andar, um típico bonachão dependente de sua mulher para resolver problemas banais poderia (e mereceria) liderar uma banda de heavy metal e permanecer com a alcunha de "Príncipe das Trevas"? Ozzy prova cada vez mais que sim.

O vocalista - ao lado de Zakk Wylde (guitarra), Rob Nicholson (baixo), Mike Bordin (bateria e ex-Faith No More) e Adam Wakeman (teclados e filho de Rick Wakeman) - lançou no ano passado o ótimo álbum Black Rain. Livre do álcool e das drogas, Ozzy recuperou seu prestígio com os fãs fazendo shows que - se não superam aqueles feitos nos anos 80 como, por exemplo, o que realizou em sua primeira visita ao Brasil no festival Rock in Rio, em 85 - não deixam em nada a desejar.

Em sua terceira passagem pelo País (a outra havia ocorrido em 95, durante o Philips Monsters of Rock), Ozzy encantou paulistas - leia cobertura completa nesta edição - e cariocas no mês passado, além de chilenos e argentinos. Antes de tocar no Rio de Janeiro, o vocalista concedeu uma entrevista coletiva em um luxuoso hotel localizado na Zona Oeste da capital fluminense. Vestindo camisa de manga comprida, calças jeans, um crucifixo dourado no pescoço e os tradicionais óculos redondos de lentes azuis, o músico mostrou-se simpático e, em alguns momentos, arrancou risos dos jornalistas presentes com suas respostas.

Nesta entrevista, em que a Comando Rock esteve presente, Ozzy falou sobre seu atual momento livre do álcool e das drogas, da gravação do CD Black Rain, do longo tempo em que demorou em tocar novamente na América do Sul, de uma possível volta ao Black Sabbath - que irá comemorar 40 anos no ano que vem -, disse que não pensa na aposentadoria e revelou seu segredo de como se prepara para fazer um show de quase duas horas mesmo com quase 60 anos de idade: "Pedalo uns cinco minutos na bicicleta ergométrica, aqueço a voz e me masturbo".

Para quem não foi a um dos shows no Brasil e não pode comprovar a vivacidade de Ozzy em cima de um palco ou acredita que o "comedor de morcegos" deveria se aposentar, fica aqui um trecho da letra composta pelo vocalista na canção "I Don't Want to Stop", presente em Black Rain. Isso responderá à sua questão: "Mãe, não chore/Só quero dizer que eu gosto de tocar com perigo e susto/Todo mundo está andando, mas ninguém está falando/ Isso parece bem melhor daqui/ Toda minha vida estive no topo/ Eu não quero descer/ tudo que eu sei é que não quero parar.".

(Leia a entrevista completa na versão impressa da Comando Rock que já está nas bancas)

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