OZZY OSBOURNE
ELE NÃO QUER (E NÃO) VAI PARAR
O ex-vocalista do Black Sabbath prova, com seu novo álbum
Black Rain e com os recentes shows no Brasil, que
sua aposentadoria na música ainda está longe
de ocorrer
Marcos Filippi
Ozzy Osbourne não
foi apenas o vocalista do Black Sabbath, banda que ajudou
a criar o estilo mais pesado e um dos mais polêmicos
do rock: o heavy metal. Também não pode ser
lembrado apenas por sua carreira solo que está chegando
perto dos 30 anos de existência. O cantor é
um mito. Um astro do rock que pode ser comparado (tanto
por sua importância quanto por ser um excêntrico)
a nomes como Mick Jagger, Paul McCartney (talvez o maior
ídolo do próprio Ozzy), Jimi Hendrix ou Elvis
Presley. Dono de uma voz inigualável - pode não
ser o melhor vocalista, mas é indiscutível
que logo nos primeiros segundos de uma música você
já sabe quem está segurando o microfone -
e protagonista de dezenas de histórias marcantes,
Ozzy já tem seu nome imortalizado e marcado na trajetória
do rock and roll.
Prestes a completar 60 anos, o "Mr.
Madman" teve uma vida de excessos. Declarou, nos anos
80, que tentou várias vezes o suicídio quando
adolescente e que ele e o baterista Bill Ward, quando estavam
no Black Sabbath, tomaram ácido diariamente durante
dois anos. Cansou de ser declarado persona non grata mundo
afora. Em 82, foi expulso de San Antonio, no Texas, após
ter urinado no Álamo, um símbolo local. Em
90, o cardeal nova-iorquino John O'Connor destinou a Ozzy
um violento sermão anti-rock. Foi considerado psicopata
e satanista. Foi preso algumas vezes por furto e por porte
de drogas, além de ser acusado (e posteriormente
inocentado pela Justiça) de ser o responsável
pelo suicídio de um fã devido à letra
de um de seus principais sucessos "Suicide Solution".
Ficou conhecido mundialmente fora do mundo roqueiro por
ter arrancado a cabeça de um morcego (lançado
por um fã) em pleno palco, o que lhe ocasionou alguns
problemas de saúde. "Isso foi há muito
tempo. Não me arrependo de ter feito isso, porque
meu destino me levou a isso. Mas posso dizer que não
foi bom", declarou o músico.
Mais recentemente virou moda mundo afora
devido a seu reality show transmitido pela MTV, The
Osbournes (2002). O programa, que mostrava o dia-a-dia
do vocalista juntamente com sua (excêntrica) família,
fez com que muitos fãs e críticos achassem
que sua carreira musical estava chegando ao fim, ao mesmo
tempo em que a aposentadoria dos palcos e dos estúdios
mostrava-se cada vez mais próxima. Um senhor que
gagueja, tem dificuldades em andar, um típico bonachão
dependente de sua mulher para resolver problemas banais
poderia (e mereceria) liderar uma banda de heavy metal e
permanecer com a alcunha de "Príncipe das Trevas"?
Ozzy prova cada vez mais que sim.
O vocalista - ao lado de Zakk Wylde (guitarra),
Rob Nicholson (baixo), Mike Bordin (bateria e ex-Faith No
More) e Adam Wakeman (teclados e filho de Rick Wakeman)
- lançou no ano passado o ótimo álbum
Black Rain. Livre do álcool e das drogas,
Ozzy recuperou seu prestígio com os fãs fazendo
shows que - se não superam aqueles feitos nos anos
80 como, por exemplo, o que realizou em sua primeira visita
ao Brasil no festival Rock in Rio, em 85 - não
deixam em nada a desejar.
Em sua terceira passagem pelo País
(a outra havia ocorrido em 95, durante o Philips Monsters
of Rock), Ozzy encantou paulistas - leia cobertura
completa nesta edição - e cariocas no
mês passado, além de chilenos e argentinos.
Antes de tocar no Rio de Janeiro, o vocalista concedeu uma
entrevista coletiva em um luxuoso hotel localizado na Zona
Oeste da capital fluminense. Vestindo camisa de manga comprida,
calças jeans, um crucifixo dourado no pescoço
e os tradicionais óculos redondos de lentes azuis,
o músico mostrou-se simpático e, em alguns
momentos, arrancou risos dos jornalistas presentes com suas
respostas.
Nesta entrevista, em que a Comando
Rock esteve presente, Ozzy falou sobre seu atual momento
livre do álcool e das drogas, da gravação
do CD Black Rain, do longo tempo em que demorou em
tocar novamente na América do Sul, de uma possível
volta ao Black Sabbath - que irá comemorar 40 anos
no ano que vem -, disse que não pensa na aposentadoria
e revelou seu segredo de como se prepara para fazer um show
de quase duas horas mesmo com quase 60 anos de idade: "Pedalo
uns cinco minutos na bicicleta ergométrica, aqueço
a voz e me masturbo".
Para quem não foi a um dos shows
no Brasil e não pode comprovar a vivacidade de Ozzy
em cima de um palco ou acredita que o "comedor de morcegos"
deveria se aposentar, fica aqui um trecho da letra composta
pelo vocalista na canção "I Don't Want
to Stop", presente em Black Rain. Isso responderá
à sua questão: "Mãe, não
chore/Só quero dizer que eu gosto de tocar com perigo
e susto/Todo mundo está andando, mas ninguém
está falando/ Isso parece bem melhor daqui/ Toda
minha vida estive no topo/ Eu não quero descer/ tudo
que eu sei é que não quero parar.".
(Leia a entrevista completa na versão impressa da
Comando Rock que já está nas bancas)
