Edição #43

MARK KNOPFLER
A PINTURA FOLK NA VISÃO ROQUEIRA

Com Kill To Get Crimson, seu quinto álbum solo, o ex-líder do Dire Straits pôde mostrar todo o seu lado folk, misturado com o bom e velho rock 'n'roll

Não pensar em Dire Straits quando se fala em Mark Knopfler é algo complicado, mas, em seu quinto álbum solo, Kill To Get Crimson, o lendário guitarrista e vocalista parece finalmente ter mostrado seu próprio som, desprovido de qualquer tipo de comparação. Desde pequeno, quando aos 12 anos ganhou seu primeiro disco de Bob Dylan, Mark já mostrava sua paixão pela música folk. E isso pode ser visto com ainda mais clareza em seu novo disco. Mark usou instrumentos essenciais da música folk como a rabeca e o acordeão, misturados com efeitos estranhos e originais, como o barulho de garfos sendo jogados em um piano. O álbum segue influências do folk inglês, da música escocesa e irlandesa, sem faltar, obviamente, o rock 'n' roll.

Para gravar Kill To Get Crimson, Mark construiu o estúdio British Grove Studios basicamente para esse fim. A maior parte do CD foi gravado em uma pequena sala, onde Mark pôde aprimorar toda a sua genialidade musical. Com um estilo musical e voz inconfundíveis, assim como sua maneira de trabalhar, Mark misturou o melhor da tecnologia moderna e antiga. "Pode se colocar um tuner digital moderno junto com uma guitarra dos anos 20 e eles funcionam perfeitamente bem juntos. Gosto muito desse tipo de coisa", diz Knopfler.

O nome do álbum saiu de uma das músicas, "Let It All Go", que conta a história de um pintor. A capa do disco é uma pintura de uma menina índia que quer comprar uma scooter vermelha. A pintura foi feita nos anos 50, época pré-mod em que Knopfler era só uma criança. Esse período é retratado fortemente em todo o álbum.

O último disco solo de Knopfler foi Shangri-la, gravado em 2004. Kill To Get Crimson lembra em alguns momentos seu último álbum, principalmente na forma delicada com que fez as músicas.

O já cinqüentão Mark cria situações como um romancista, mas você dificilmente consegue que ele diga realmente o que uma letra quer dizer. Como muitos compositores, diz que este é um processo místico, algo não muito simples de ser explicado. Tanto que não gosta de comentar o que uma letra específica quer dizer. Em sua opinião, uma letra pode significar diversas coisas e, quando você a escreve, ela pode não significar nada no momento e só passa a ter algum sentido um tempo depois.

Knopfler teve um duplo aprendizado na arte de tocar. Quando criança ganhou do pai uma pequena guitarra elétrica, mas não tinha amplificador. Assim, tocava a guitarra acústica dos amigos e isso fez com que sua carreira tivesse início tocando em lugares de música folk. O exímio guitarrista ainda diz que existem músicos que fazem coisas com o instrumento que ele nem imagina como. Um deles é seu filho de 19 anos, que aparentemente segue os passos do papai.

Kill To Get Crimson foi gravado no início deste ano, mas começou a ganhar forma durante a turnê do ano passado ao lado da cantora Emmylou Harris. Recentemente Knopfler também lançou One Take Radio Sessions, registro ao vivo de seu álbum anterior Shangri-la e a coletânea Private Investigations: The Best of Dire Straits and Mark Knopfler.

(Leia a entrevista completa na versão impressa da Comando Rock que já está nas bancas)

Voltar