MARK
KNOPFLER
A PINTURA FOLK NA VISÃO ROQUEIRA
Com
Kill To Get Crimson, seu quinto álbum solo,
o ex-líder do Dire Straits pôde mostrar todo
o seu lado folk, misturado com o bom e velho rock 'n'roll
Não
pensar em Dire Straits quando se fala em Mark Knopfler é
algo complicado, mas, em seu quinto álbum solo, Kill
To Get Crimson, o lendário guitarrista e vocalista
parece finalmente ter mostrado seu próprio som, desprovido
de qualquer tipo de comparação. Desde pequeno,
quando aos 12 anos ganhou seu primeiro disco de Bob Dylan,
Mark já mostrava sua paixão pela música
folk. E isso pode ser visto com ainda mais clareza em seu
novo disco. Mark usou instrumentos essenciais da música
folk como a rabeca e o acordeão, misturados com efeitos
estranhos e originais, como o barulho de garfos sendo jogados
em um piano. O álbum segue influências do folk
inglês, da música escocesa e irlandesa, sem
faltar, obviamente, o rock 'n' roll.
Para
gravar Kill To Get Crimson, Mark construiu o estúdio
British Grove Studios basicamente para esse fim. A maior
parte do CD foi gravado em uma pequena sala, onde Mark pôde
aprimorar toda a sua genialidade musical. Com um estilo
musical e voz inconfundíveis, assim como sua maneira
de trabalhar, Mark misturou o melhor da tecnologia moderna
e antiga. "Pode se colocar um tuner digital moderno
junto com uma guitarra dos anos 20 e eles funcionam perfeitamente
bem juntos. Gosto muito desse tipo de coisa", diz Knopfler.
O
nome do álbum saiu de uma das músicas, "Let
It All Go", que conta a história de um pintor.
A capa do disco é uma pintura de uma menina índia
que quer comprar uma scooter vermelha. A pintura foi feita
nos anos 50, época pré-mod em que Knopfler
era só uma criança. Esse período é
retratado fortemente em todo o álbum.
O
último disco solo de Knopfler foi Shangri-la,
gravado em 2004. Kill To Get Crimson lembra em alguns
momentos seu último álbum, principalmente
na forma delicada com que fez as músicas.
O
já cinqüentão Mark cria situações
como um romancista, mas você dificilmente consegue
que ele diga realmente o que uma letra quer dizer. Como
muitos compositores, diz que este é um processo místico,
algo não muito simples de ser explicado. Tanto que
não gosta de comentar o que uma letra específica
quer dizer. Em sua opinião, uma letra pode significar
diversas coisas e, quando você a escreve, ela pode
não significar nada no momento e só passa
a ter algum sentido um tempo depois.
Knopfler
teve um duplo aprendizado na arte de tocar. Quando criança
ganhou do pai uma pequena guitarra elétrica, mas
não tinha amplificador. Assim, tocava a guitarra
acústica dos amigos e isso fez com que sua carreira
tivesse início tocando em lugares de música
folk. O exímio guitarrista ainda diz que existem
músicos que fazem coisas com o instrumento que ele
nem imagina como. Um deles é seu filho de 19 anos,
que aparentemente segue os passos do papai.
Kill
To Get Crimson foi gravado no início deste ano,
mas começou a ganhar forma durante a turnê
do ano passado ao lado da cantora Emmylou Harris. Recentemente
Knopfler também lançou One Take Radio
Sessions, registro ao vivo de seu álbum anterior
Shangri-la e a coletânea Private Investigations:
The Best of Dire Straits
and Mark Knopfler.
(Leia
a entrevista completa na versão impressa da
Comando Rock que já está nas bancas)
